sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ultima carta de amor.

 
Por quê? Porque você não pode me dar o amor de antes, a paixão de antes, por quê?
Porque, se você me prometeu que o sentimento seria eterno e eu te prometi também? Não pode se quebrar, não podia... Eu não posso aceitar que é minha culpa; eu não quero aceitar, eu não vou. Porque não é não... Não é possível que seja eu já tenho culpas demais.
O seu erro foi ter me escolhido. Eu podia estar com outra pessoa, qualquer pessoa, e se eu não tivesse te conhecido, tenho certeza que acharia alguém que me amasse, e você estaria com alguém que te retribuísse tanto amor; e nós passaríamos pela vida sem sentir a falta um do outro, porque não se deseja o que não se conhece.
E você encontraria alguém como eu, até melhor, com menos marcas. Você me diz que as cicatrizes não podem ser maquiadas... Mas são feias, ninguém ama o feio.
Essa historia de que cicatrizes fazem você ser o que é... Tem seu lado de verdade, mas sabe do que mais? Cada vez que você as vê você lembra por que estão ai.
E eu te amava mais... Há sempre aquela parte que dá mais, as relações humanas são baseadas na exploração. O mundo não é justo, mas eu não estou aqui para vomitar clichês, eu só quero te lembrar que não existe uma balança, não existe a perfeita divisão e eu te queria mais.
 Tudo são momentos, o continuo é ilusão. Se você se apega nos momentos aí então quando eles deixarem de ser a sombra daquela realidade você sofre. E eu tinha sonhos.  Eu tinha sonhos com você. Mais que sonhos, eu tinha planos, projetos... Noites e noites perdidas, devaneios perdidos articulando cada detalhe no imaginário...  
Eu nunca tive chão, eu nunca tive desejos, esperanças que perseguir. Você plantou tudo em mim. Sem querer dramatizar, tomou a minha inocência de criança. Eu não quero ser uma pessoa refém de sonhos frustrados, mas o que fazer? Eu não tenho outros, e também não tenho os velhos, eu desisti.  E eu me sinto perdida de novo, e tudo é muito confuso e tudo é muito difícil e tudo é muito complicado. Eu só quero me trancar, o que eu ganho me expondo afinal? Eu não tenho mais casca, eu não tenho mais escudo, eu não tenho mais casa, e eu não sei mais lutar, eu nunca soube.

Mas por você eu lutei. Sentindo o regozijo cada vez que você dizia como nunca ninguém tinha feito por você o que eu fiz. Um general para um soldado, um pai para um filho prodigo e tudo que eu queria era que você se orgulhasse de mim. Mas você, dentre todos os outros, me deixou cair. Mesmo admitindo, meu amor, que não houve quem se importasse comigo como você se importou, como se importa; sim, eu sei. Porém já não me é suficiente. Porque você não se aferrou nos planos como eu? E eu me senti traído como um soldado que é mandado para morte sem que ao menos fosse em prol de salvar outras vidas, mais ou mais importantes. Me senti como um filho abandonado no meio da estrada com um pirulito nas mãos e a promessa “eu volto” para nunca chegar, até que se começa a caminhar pra longe por que passaram os anos e já não há nada que fazer. Decepção trás decepção e você já não era mais meu general. Você já não era para mim nem sequer um soldado meu igual. Você era menos que isso sem que eu houvesse recebido promoção. E você queria receber as ordens de alguém que nunca soube pra onde ir, nem contra quem lutar nessa guerra da vida.

Eu não o culpo meu amor, eu me culpo. Quiçá te ludibriei com minhas palavras ao ponto de fazer você também perder o chão, mas não foi a intenção, não... Se supõe que nós deveríamos simplesmente seguir o plano... Mas você não tentou nem sequer adaptar... E depois de arrastar como um boi de carga nosso pelotão para fora do bombardeio você insiste em ficar no mesmo lugar, como se a solução estivesse na minha cara o tempo todo e eu não pudesse ver, mas eu podia, meu amor, eu podia sim. A solução era fugir, a solução era fazer enquanto tínhamos tempo, enquanto tínhamos forças. Pensar em nós, meu amor, por que não há conjunto...

E agora, não há nada.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Domingo

Já era manhã quando acordara, o peito marcado por uma queimadura nova, provavelmente pegara no sono, o cigarro caiu e eis que lhe apresento uma queimadura nova.
Sentiu nas pontas dos dedos do pé, uma panturrilha, ainda estava quente, um alívio, pelo menos não matou ninguém durante a noite que lhe rendera uma bela queimadura.
Levantou se com cuidado, como quem tenta não fazer barulho, tropeçando em algumas latas de cerveja espalhadas pelo chão, o cheiro da cevada inebriava o pequeno quarto, mas milagrosamente a pessoa não acordou.
Contornou a cama, e lá estava ela: Uma garota estranha, não estranha por algum defeito ou algo similar, ele simplesmente não sabia quem era, mas era a estranha mais linda que já havia visto.
Eis que começam alguns flashes: ele a vê em um canto, começa a conversa, ela parece não gostar da música, nem do ambiente e começa a reclamar que as amigas lhe obrigaram a ir ou qualquer coisa do tipo, a música tava alta, as pessoas se empurravam, e ele dizia o mesmo, em um discurso que ambos fingiam o entedimento.
Outro flash: Já estavam no quarto, respiração acelerada, sussurros, risadas, ambos desnudos.
E ali estava ele, diante da estranha mais estranhamente linda que estranhamente conhecera em uma noite estranha.
E então a observava dormindo tão calmamente e se permitiu pensar um pouco, e se imaginou conhecendo-a de um jeito diferente, em outra ocasião, em diferentes fases de sua vida, e imaginou um pouco mais, viu os morando juntos, filhos, a rotina entediante, a crise do casamento, reconciliação, uma velhice confortável.
Parou então, e a viu acordando, abrindo devagar um olho, depois o outro e sorrindo.
Lembrou então que aquilo tudo não era tão imporante, ou ele não se enquadrava na descrição utópica que acabara de dar sobre sua vida.
E só voltou os olhos para seu peito, olhando novamente pra marca da queimadura e ficou feliz sabendo que o cigarro queimara seu peito, mas não o lençol, o que na pior das hipóteses começaria um incêndio que talvez lhe tirasse a vida.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A carta que não tinha nome

Não sei exatamente quando irá abrir este bilhete, ou quando irei voltar. Imagino que quando acha-lo, o envelope já estará amarelado, a mesa coberta por uma fina camada de poeira, e minhas palavras tão apagadas quanto teus olhos ao encontrarem isso.
Te direi que fugi, não porque não eras de meu agrado, fugi de quem sou. E espero que tenha pensado, que você não era o motivo.
Me dói, me amarga, me corrói.
Me larga, me amarra, me dói.
Nunca lhe sussurei palavras utópicas, nunca disse "pra sempre", nem ao menos lhe tentei com palavras sobre o que é eternidade.
Deixei como presente as cinzas do velho mundo, espero que aproveite.


Ficou muito fraco, já faz um tempo que não escrevia textos com um tema assim.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Definir

As mãos continuam tremulas, quase tão tremulas quanto as de um dependente quimico em uma crise de abstinência.
O estômago continua a parecer que está vazio, parece que ele se corrói.
O nariz aspira desinspirado um pouco do ar.
O coração insiste em bater desacelerado, insiste também em não ter ritmo.
Os olhos já não possuem brilho algum, tão escuros, tão sem vida.
As sombrancelhas não se mexem, são duas pequenas estatuas de pelos
As orelhas não ligam, agora já não faz diferença ouvir ou não.
A boca ensaia um sorriso singelo, ainda que amarelo.
Os labios não se tocam.

sábado, 11 de dezembro de 2010

O afago, muro e caminho

A sua janela não é tão alta.
Eu posso subir o muro.
Eu poderia te mostrar o mundo, meu mundo.
Lhe tirar pela janela, escalar o muro, mostrar o mundo.
Tirar o mundo, escalar o mundo.
Mostraria a melhor música de 1963.
Diria seu nome como ninguém nunca ousou dizer.
Buscaria toda a felicidade do mundo, entregaria em suas mãos.
Não me importo que fuja, pediria só que me ajudasse a recupera la.
Pediria pra ouvir seu coração, esperando que talvez me falasse algo que você não consiga dizer.

Dia desses pego uma marreta, quebro o muro, quebro janela, te deixo me seguir.
Dia desses te dou meu coração
Ou não.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Três ou quatro.

Hoje eu perdi 1/4 de mim.
Não arriscaria dizer que era minha 1/2.
Hoje eu me perdi, Rua 16, algo assim.
Três horas pra tudo terminar.
Cafeína, papéis, mentiras bonitas e ainda assim, perdi 1/4 de mim.
Há quem consiga se regenerar sem ter cicatrizes e se machucar sem sangrar.
E há também quem se perde por completo, hoje perdi 1/4 de mim.
Poderia ter perdido você por completo.
Mas há quem fique feliz, em função de só ter perdido 1/4 de mim..

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Percepção Visual

Eram poucas coisas que carregava.
Metade da bagagem era saudade:
Alguns rabiscos.
Duas passagens de ônibus.
Cansaço.
Duas ideias e meia, algumas meias.
Três palavras ainda não ditas.
Quatro razões.
Nenhum objetivo.
Um pouco de motivação em algum lugar da mochila.
Um restinho de coragem, ainda que amassada.
Uma caixa de apego.
Meia garrafa de afago.
E um pequeno papel que continha a seguinte frase:

Quero tirar toda a cor do céu
Quero desenhar no mar.


Eu meio que sumi do blog, preguiça de escrever, falta de ideias, tentei fazer algo curto, e sei lá, de uns tempos pra cá as coisas andam meio cinzas.