sábado, 19 de maio de 2012

Autobiográfico

Já posso dizer que não vejo você
Em capas de jornais, em livros velhos
Não lhe vejo discutir cinema
Não sei nem dizer o que é este dilema
Aonde estará você?
Em Roma, Paris, Ipanema?
Digo que não lhe vejo mais discutir Godard
Não lhe vejo em filmes velhos
Velhos velhos
Novos velhos
E quem diria que te vi dobrando a esquina
Cantarolando Our lips are sealed
E quem disse que não vejo o seu rosto
Rindo do vapor do café embaçando meu óculos
E quem diz que já não lhe vejo mais
Está errado
Completamente errado
Só vejo tua sombra.


Tão enferrujado!


sexta-feira, 18 de maio de 2012

As vezes você só quer dizer, só quer tirar isso da mente;
escorregar na linguá, bailar nos dentes, três palavras, ou quatro, ou cinco, ou cem
Se abrir essa caixinha não vai conseguir parar de olhar;
Te consume, te arrasta, te afasta, te corroí, te destrói, te cativa, sensibiliza, te faz pensar - epifania - agonia, dor, choro;
Se abrir vai ver descaso, ignorância, prepotência, vai ver vitima e vai ver vilão, vai ver o céu, vai ver o chão, vai ver loucura e injustiça, vai ver policia, parada cardíaca, vai ver o pão, a gula, o colchão, o marasmo, a imensidão, o delírio, a perdição.
Ela se foi né? É, tá sumida.
Ninguém quer saber da sua vida.
As  vezes é calor, as vezes é frio, as vezes é mar, repleto vazio, as vezes o mundo para pra ver, muitas outras manda se fuder.
Vai ver o gênio e o descerebrado, vai ver o quadrado e o abstrato.
Vai ver e vai pensar que entende.
Vai subjugar como muita gente.
Pode até te comover, ou você nem teve saco de parar pra ler, ou nem teve interesse em conhecer, pra que?
Tem tanto mais lá fora, você já tem outro universo aí pra lidar agora, cada um num mundo numa dança louca, se cruzando de vez em quando numa esquina dessas, sempre com pressa.
Muitos conseguem compartilhar, cativar, cultivar, manter, respeitar.
Eu não. Te confesso que não sei quem sou. Te confesso que as vezes penso que enlouqueci.
Eu acho que já enlouqueci.
Eu tenho certeza.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Hoje eu te vi.

E se estiver além das palavras, das caras e bocas, das intenções?
Dos gritos e das mentiras e do desfecho?
E se estiver nos olhos, no calor do abraço, no afago, no cheiro, escondido na essência, enterrado no peito.
E se tudo que foi dito não significa nada quando se toca, quando se pensa, quando se lembra, quando a saudade te aperta, quando o sentimento pisca, como um lampejo do que poderia ser e não é.
Mas sempre foi.
O coração perde um compasso e dá vontade de não te soltar, dá vontade de te beijar;
Bate uma vontade de que o tempo pare, de que o mundo suma, e de que tudo volte.
Então é isso, freia o passo, memoriza a cena, guarda num pedacinho daquele lenço dentro de uma caixa, dentro de uma gaveta, dentro daquela parte do armário que você nunca abre... Só quando quer lembrar de mim.

domingo, 23 de outubro de 2011

Versinho

Te amo más que todas las estrellas y los peces del mar. Te amo tanto que podría salirte a buscar en una noche escura, en un día de tremendo sol, en una selva de horrores dentro de un mar de rencor. Solo sé que iría a buscarte y no volvería sin ti. Saldría a buscarte en cada rincón, en cada parada, en cada estación, y en cada búsqueda este corazón te estaría esperando pero sin razón. No importa si te fuiste de este mundo o solo estás jugando a las escondidas en este nudo, no se entiende y nunca se va, no sé porque te fuiste en primer lugar.

sábado, 15 de outubro de 2011

Feriado (texto ruim)

Não sei descrever exatamente a situação.
Me lembro de procurar o chão, como quem não vê um degrau.
Não sei descrever os olhos daqueles que me procuravam.
Eram cinzas, neles eu sentia o medo.
Mas sei que nos meus olhos também tinham medo.
Uma valsa, um delírio.
Ir embora?
Ei moça, já são horas?
Hora de acordar.
Hora de ir, hora de rir.
Hora de dançar?
Os anos passam por trás dos espelhos.
Os prédios espelham as ruas.
Na rua
Gritaria
Aqui dentro
Calmaria.
Mas você ainda é criança
Você tem tempo.
Abra a porta, deixe o vento entrar.
Sorrir até acabar o ar.
Todo o ar do mundo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

They know.

Amor imaturo, amor maduro, amor de solidão, amor de compaixão.
Amor de mãe, amor de pai, amor de quem disse que não queria mais.
Amor de quem espera pra sempre, amor dependente, amor carente.
Amor triste, amor solitário, amor ao próximo, amor utilizado.
Amor sorridente, amor demente. Amor bobo, o amor é um jogo.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Velho maquinista em Tempos Modernos

Eu nunca consegui entender muito esse conceito de felicidade. Seria basicamente uma série de eventos positivos que ocorrem em um espaço de tempo, não é? Mas a probabilidade das coisas não funcionarem bem, é maior não? Então felicidade é uma questão de sorte?
É feliz quem é sortudo ou é sortudo quem é feliz?
Quando digo isso, não quero de forma alguma traduzir o que é felicidade para cada um de nós, isso já seria uma coisa totalmente individualista.
Mas e se tomássemos como exemplo uma locomotiva, seguindo com toda a velocidade em uma estrada de ferro, e Drummond que me perdoe, mas tinha uma pedra no meio do caminho.
E agora?
E agora, que o trem saiu da linha?
O que seria melhor frear e tentar minizar os estragos ou então acelerar ainda mais e só esperar pra que tudo fique bem?
E aí, nada acontece, o trem mesmo fora da linha segue seu caminho. Seria a felicidade capaz de fazer o trem voltar a estrada ou seria a coragem capaz de manter o novo caminho desconhecido?
Eis que me resta fazer somente mais uma pergunta: É feliz quem nunca saiu da estrada, ou é feliz quem saiu e por ventura nunca mais quis voltar para ela?


Dessa vez deixei algumas perguntas para serem respondidas.