terça-feira, 30 de novembro de 2010

Percepção Visual

Eram poucas coisas que carregava.
Metade da bagagem era saudade:
Alguns rabiscos.
Duas passagens de ônibus.
Cansaço.
Duas ideias e meia, algumas meias.
Três palavras ainda não ditas.
Quatro razões.
Nenhum objetivo.
Um pouco de motivação em algum lugar da mochila.
Um restinho de coragem, ainda que amassada.
Uma caixa de apego.
Meia garrafa de afago.
E um pequeno papel que continha a seguinte frase:

Quero tirar toda a cor do céu
Quero desenhar no mar.


Eu meio que sumi do blog, preguiça de escrever, falta de ideias, tentei fazer algo curto, e sei lá, de uns tempos pra cá as coisas andam meio cinzas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Gritos


Não sei.
Mas tem alguma coisa nos gritos desesperados que te deixa preso.
Não sei,
Você esta ai vendo a pessoa que você ama gritando como se alguém a tivesse marcado com ferro quente;
Chorando desesperada por perder um ente querido;
Simplesmente desabafando, mas;
Tem algo nos seus gritos.
E eu me sinto obrigada a fazer alguma coisa.
Tenho que
Abraçar te acalmar;
Ou simplesmente seguir escutando.
 Tem algo que te comove, é a explosão das emoções, é uma espécie de humilhação da parte sofredora. É sim.
É, porque alguém só grita desse jeito quando esta totalmente desesperada, sem chão, sem esperança. Quer ajuda, precisa de ajuda. Você precisa de mim.
Te ver implorando misericórdia. Isso de alguma forma me satisfaz.
Mórbido, masoquista?
Definitivamente.
Parada te olhando no chão, sem saber se te levanto ou te vejo cair mais um pouco.
O amor e o ódio de mãos dadas n’uma ciranda louca;
Dentro de mim.