Por quê? Porque você não pode me dar o amor de antes, a paixão de antes, por quê?
Porque, se você me prometeu que o sentimento seria eterno e eu te prometi também? Não pode se quebrar, não podia... Eu não posso aceitar que é minha culpa; eu não quero aceitar, eu não vou. Porque não é não... Não é possível que seja eu já tenho culpas demais.
O seu erro foi ter me escolhido. Eu podia estar com outra pessoa, qualquer pessoa, e se eu não tivesse te conhecido, tenho certeza que acharia alguém que me amasse, e você estaria com alguém que te retribuísse tanto amor; e nós passaríamos pela vida sem sentir a falta um do outro, porque não se deseja o que não se conhece.
E você encontraria alguém como eu, até melhor, com menos marcas. Você me diz que as cicatrizes não podem ser maquiadas... Mas são feias, ninguém ama o feio.
Essa historia de que cicatrizes fazem você ser o que é... Tem seu lado de verdade, mas sabe do que mais? Cada vez que você as vê você lembra por que estão ai.
E eu te amava mais... Há sempre aquela parte que dá mais, as relações humanas são baseadas na exploração. O mundo não é justo, mas eu não estou aqui para vomitar clichês, eu só quero te lembrar que não existe uma balança, não existe a perfeita divisão e eu te queria mais.
Tudo são momentos, o continuo é ilusão. Se você se apega nos momentos aí então quando eles deixarem de ser a sombra daquela realidade você sofre. E eu tinha sonhos. Eu tinha sonhos com você. Mais que sonhos, eu tinha planos, projetos... Noites e noites perdidas, devaneios perdidos articulando cada detalhe no imaginário...
Eu nunca tive chão, eu nunca tive desejos, esperanças que perseguir. Você plantou tudo em mim. Sem querer dramatizar, tomou a minha inocência de criança. Eu não quero ser uma pessoa refém de sonhos frustrados, mas o que fazer? Eu não tenho outros, e também não tenho os velhos, eu desisti. E eu me sinto perdida de novo, e tudo é muito confuso e tudo é muito difícil e tudo é muito complicado. Eu só quero me trancar, o que eu ganho me expondo afinal? Eu não tenho mais casca, eu não tenho mais escudo, eu não tenho mais casa, e eu não sei mais lutar, eu nunca soube.
Mas por você eu lutei. Sentindo o regozijo cada vez que você dizia como nunca ninguém tinha feito por você o que eu fiz. Um general para um soldado, um pai para um filho prodigo e tudo que eu queria era que você se orgulhasse de mim. Mas você, dentre todos os outros, me deixou cair. Mesmo admitindo, meu amor, que não houve quem se importasse comigo como você se importou, como se importa; sim, eu sei. Porém já não me é suficiente. Porque você não se aferrou nos planos como eu? E eu me senti traído como um soldado que é mandado para morte sem que ao menos fosse em prol de salvar outras vidas, mais ou mais importantes. Me senti como um filho abandonado no meio da estrada com um pirulito nas mãos e a promessa “eu volto” para nunca chegar, até que se começa a caminhar pra longe por que passaram os anos e já não há nada que fazer. Decepção trás decepção e você já não era mais meu general. Você já não era para mim nem sequer um soldado meu igual. Você era menos que isso sem que eu houvesse recebido promoção. E você queria receber as ordens de alguém que nunca soube pra onde ir, nem contra quem lutar nessa guerra da vida.
Eu não o culpo meu amor, eu me culpo. Quiçá te ludibriei com minhas palavras ao ponto de fazer você também perder o chão, mas não foi a intenção, não... Se supõe que nós deveríamos simplesmente seguir o plano... Mas você não tentou nem sequer adaptar... E depois de arrastar como um boi de carga nosso pelotão para fora do bombardeio você insiste em ficar no mesmo lugar, como se a solução estivesse na minha cara o tempo todo e eu não pudesse ver, mas eu podia, meu amor, eu podia sim. A solução era fugir, a solução era fazer enquanto tínhamos tempo, enquanto tínhamos forças. Pensar em nós, meu amor, por que não há conjunto...
E agora, não há nada.