terça-feira, 8 de julho de 2008

Primeiro Amor

A verdade é que éramos duas crianças. Esquecemos de amadurecer, ou melhor, de endurecer. Talvez por sermos os dois virgens no amor, talvez por estarmos fatalmente apaixonados. Fosse pelo que fosse; a verdade é que não éramos assim tão virgens no amor; bastava uma pequena mirada num passado nem tão distante para contemplar as cicatrizes sofridas em relacionamentos frustrados. Eu por exemplo já havia esquecido toda essa baboseira sobre príncipe encantado, e chorado e sofrido até ter vontade de arrancar meu coração antes de conhecê-lo, e mesmo assim não pude evitar acreditar e sonhar tudo outra vez. Porque no final éramos sim virgens, no sentido de amar de verdade; apenas não sabíamos.
No momento eu me perguntava se ia ser sempre assim... Cair e levantar, perder a fé para voltar a encontrar, e conseqüentemente voltar a perdê-la. E ao mesmo tempo me sentia encantada! Ele parecia o tipo de pessoa que nunca se interessaria em alguém como eu. Era tão bonito, tão experiente... Cuidava de mim, se preocupava comigo; infantil e imatura; parecia dessas coisas que nunca poderiam acontecer senão em filmes e novelas.
Eu tentava não criar muitas expectativas ao mesmo tempo em que passava a necessitá-lo como se necessita do ar que se respira; e sentia medo. E eu dizia a ele que tinha medo. Pra ser sincera eu dizia tudo a ele, até mesmo o que não deveria... Eu não me dava conta do grau de dependência em que estava chegando! E então lentamente ele foi se abrindo pra mim também, me mostrando suas fraquezas, procurando consolo em mim... Nada mais justo! Afinal eu já o havia buscado incontáveis vezes antes que ele demonstrasse qualquer sinal de fraqueza. A princípio eu fui tentando acreditar naquilo, ainda me parecia deveras absurdo que alguém como ele pudesse sentir tal afeição por mim... Ficava em duvida, mas morrendo de vontade de acreditar, ou melhor, de aceitar! Porque meu coração já fantasiava longe...
E sim ele me amava! E eu o amei! Ah! Como eu amei... Amei como o amor daquelas donzelas estúpidas dos filmes... Creio que havia me tornado ainda mais babaca que todas elas juntas. E éramos duas crianças outra vez, sem medo, sem experiência. As regras do meu jogo não valiam com ele... Nada do que eu tivesse aprendido parecia valer. E amamos como duas crianças outra vez, simplesmente acreditando que aquilo era verdade e vivendo um “agora” que virou “pra sempre” dentro de mim, como a melhor memória que alguém pode ter, que a de ter verdadeiramente conhecido o amor!
De ver as mãos tremendo só por escutar uma voz, de sentir o coração bater forte só por tê-lo por perto, só de pensar nele... Primeiro amor, veja você! Todo o registro anterior havia se apagado e começamos a aprender tudo outra vez, passo a passo. Ele me amaciou, tirou as minhas cicatrizes e o melhor de mim...
E me deixou sem traumas... Se foi da mesma maneira suave como chegou... Um dia simplesmente não estava mais lá... Eu olhei ao meu redor e senti o desespero inicial, o sentimento de vazio inevitável... Mas não durou muito, dessa vez eu já havia aprendido a olhar pra traz e não perder o passado... Eu não permitiria que o sofrimento apagasse a beleza daquele sentimento... Daquele que foi diferente, foi verdadeiro! Daquele que eu não ia me esquecer jamais porque foi diferente de tudo que eu já havia visto no mundo, e até hoje não achei igual.
O que eu vivi com ele, eu sei que nunca vou poder recuperar. Mas sou grata por tudo que ele me deu, de tudo que abriu mão para escrever essa história comigo... Graças a ele, agora eu posso bater no peito com orgulho e dizer “eu amei”, e sei o valor que isso tem, graças a ele agora eu sei que posso voltar a ser uma criança quantas vezes seja necessário, porque o bom é amar sempre como o primeiro amor.

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