I – Tomada vinte
Desde que você se foi minha vida é um desastre.
Se sente como se tudo estivesse vindo ao chão.
Em cada uma das esquinas, tudo esta mudando
E se sente insólito.
Desde que você se foi, vamos nos tornando pouco a pouco o reflexo da miséria humana
Vamos mostrando do que somos feitos.
Escárnio. Cinismo. Irresponsabilidade. Falta de interesse. Falta de motivações.
Perdidos enfim; começando planos para desistir em seguida e apostando em sonhos que nos fazem sofrer e vivendo de futilidades em uma busca irrefreável a procura de satisfação que nunca sacia nossa sede.
Sede de álcool, de cigarros, de adrenalina, de atenção, de carinho, de piedade, de humanidade, de autoconhecimento de autodestruição.
Incapacidade e fúria.
II – Mimada.
Volta pai.
Quero fazer de conta que eu sou uma criança. Quero deitar no teu colo e te pedir proteção. Te exigir respostas sempre na ponta da língua. Deixa eu me enganar por mais dez minutinhos; daqueles que eu te pedia aos sábados pela manhã quando você ia me acordar. Deixa pai.
Pai deixa tudo. Pai se pudesse nos daria tudo.
Tudo de nobre e belo que alguém pode ser. Pai plebeu com filha princesa. Não menos que impossível aos olhos do mundo.
Mas ela pode.
Se finge de rei para fazê-la feliz.
O pai deixa tudo.
Até se apaixonar por um outro qualquer e não deixar o pai cuidar.
Até entregá-la no altar.
Pai deixa tudo.
Menina mimada quebra a cara com o mundo.
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