As vezes você só quer dizer, só quer tirar isso da mente;
escorregar na linguá, bailar nos dentes, três palavras, ou quatro, ou cinco, ou cem
Se abrir essa caixinha não vai conseguir parar de olhar;
Te consume, te arrasta, te afasta, te corroí, te destrói, te cativa, sensibiliza, te faz pensar - epifania - agonia, dor, choro;
Se abrir vai ver descaso, ignorância, prepotência, vai ver vitima e vai ver vilão, vai ver o céu, vai ver o chão, vai ver loucura e injustiça, vai ver policia, parada cardíaca, vai ver o pão, a gula, o colchão, o marasmo, a imensidão, o delírio, a perdição.
Ela se foi né? É, tá sumida.
Ninguém quer saber da sua vida.
As vezes é calor, as vezes é frio, as vezes é mar, repleto vazio, as vezes o mundo para pra ver, muitas outras manda se fuder.
Vai ver o gênio e o descerebrado, vai ver o quadrado e o abstrato.
Vai ver e vai pensar que entende.
Vai subjugar como muita gente.
Pode até te comover, ou você nem teve saco de parar pra ler, ou nem teve interesse em conhecer, pra que?
Tem tanto mais lá fora, você já tem outro universo aí pra lidar agora, cada um num mundo numa dança louca, se cruzando de vez em quando numa esquina dessas, sempre com pressa.
Muitos conseguem compartilhar, cativar, cultivar, manter, respeitar.
Eu não. Te confesso que não sei quem sou. Te confesso que as vezes penso que enlouqueci.
Eu acho que já enlouqueci.
Eu tenho certeza.
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